Preso um dos líderes de grileiros da Amazônia

O Ibama e a Polícia Federal Ambiental do Pará prenderam no último sábado (21) o grileiro Ezequiel Antônio Castanha, considerado o maior desmatador da Amazônia, segundo informou nesta segunda-feira (23) a organização ambiental. Ele foi preso em Novo Progresso, no Pará. A prisão chegou a contar com apoio da Força de Segurança Nacional.

castanha 2Castanha é acusado de dirigir uma quadrilha que se apoderava ilegalmente de terras de titularidade pública na Amazônia para depois desmatá-las e vendê-las como pasto a um preço elevado.

A quadrilha operava na região ao redor da BR-163, no Pará, e segundo cálculos do Ministério Público estadual, era responsável por 20% do desmatamento ocorrido na Amazônia brasileira nos últimos dois anos. Somente a família do grileiro seria responsável por quase R$ 47 milhões em multas junto ao Ibama, sem incluir os autos de infração em nome dos demais integrantes da quadrilha.

A prisão de Castanha é parte de uma operação contra desmatadores realizada em agosto do ano passado, na qual o líder da quadrilha não tinha sido detido.

Ezequiel Castanha será julgado pela Justiça Federal e poderá receber pena de mais de 46 anos de prisão pelos crimes de desmatamento ilegal, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e uso de documentos falsos, entre outros.

Leia parte do julgamento de Castanha (autos do processo 0001843-57.2014.4.01.3908/PA):

“Ao investigado são imputados crimes graves, entre outros, lavagem de dinheiro e desmatamento em áreas de conservação, com penas que superam 04 (quatro) anos de reclusão, além de haver demonstração de elementos de materialidade e indícios suficientes de autoria, inclusive trechos de conversas interceptadas pela Polícia Federal que indicam ser o acusado Ezequiel Antônio Castanha, juntamente com Giovany, os chefes da suposta organização criminosa (áudio 3, fl. 44, áudio 5, fl. 46, áudio 10, fl. 49, todos do processo 2190-27.2013.4.01.0908).
O áudio transcrito na representação policial (fl. 402), dá conta que Ezequiel Antônio Castanha possuía conhecimento prévio da ação realizada pela Polícia Federal contra seus empreendimentos, inclusive sua prisão.
A narrativa fática e os documentos juntados permitem concluir que a suposta organização criminosa, da qual seria um dos chefes, possui ramificações no poder público local, o que demonstra a elevada capacidade econômica e estratégica do grupo apta a justificar sua segregação cautelar, por conveniência da instrução criminal, pelo menos durante o tempo necessário para ultimação da fase instrutória.
Quanto à garantia da ordem pública, informações prestadas pelo Juízo impetrado assinalam que:
(…) no último período de monitoramento, autorizado judicialmente, restou comprovado que Ezequiel Castanha continua realizando atividades ilícitas, buscando novas áreas para desmatamento, bem como tratando de “acertos” com fiscais (fls. 1276/1377 – processo 2190-27.2013.4.01.3908).
Se não bastasse, o acusado defendeu a adequação de seus atos em rede nacional, evidenciando a propensão para a reiteração da prática criminosa. Dessa forma, a manutenção da prisão preventiva para garantia da ordem pública poderá resultar na desarticulação da apontada organização criminosa, pois pelo que foi exposto nas informações policiais, Ezequiel Antônio Castanha ocuparia papel fundamental no contexto de atuação do grupo.”

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