Ruralistas querem frear demarcações reeditando CPI das ONGs

A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) quer incluir ONGs em sua velha estratégia de campanha eleitoral que é “apontar alguém como inimigo”.

agrocartoonDurante muitos anos ficaram restritos ao discurso de que MST e INCRA criavam o “conflito no campo”. Porém, com o fortalecimento do Movimento e da autarquia ligada ao MDA (Ministério do Desenvolvimento Agrário) no governo Lula, os Ruralistas apontaram suas forças contra indígenas e Funai.

Com o avanço das investigações da Operação Lava-Jato que desmascarou os Ruralistas Luiz Carlos Heinze (PP-RS) e Jerônimo Goergen (PP-RS), entre outros, a estratégia deles é bater no governo federal como a oposição fez em 2007, no segundo mandato do ex-presidente Lula: criar uma CPI das ONGs.

Na época a Comissão Parlamentar de Inquérito serviu para investigar os repasses de dinheiro público feitos para organizações não-governamentais. Foi terminada em 01 de novembro de 2010, após mais de três anos da sua instauração sem chegar a uma conclusão da investigação.

Os Ruralistas, justamente no segundo mandato da presidenta Dilma Rousseff, querem colocar na mira as ações das Ongs que, conforme acusam em seu site antes de qualquer investigação

“recebem polpudos recursos públicos e privados para financiar invasões de propriedades e incentivar demarcações de terras indígenas por esse Brasil adentro. O foco é o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), a Via Campesina, o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), o Centro de Trabalho Indigenista (CTI), Associação Brasileira de Reforma Agrária (Abra), entre outros.”

O deputado Nilson Leitão (PSDB-MT), vice-presidente da FPA, já tentou chamar os holofotes para si com a entrevista

“Todos os anos, são repassadas incalculáveis somas de dinheiro para essas entidades azucrinarem quem produz alimentos no campo. Daí a necessidade de investigar de onde vem, para quem vai, quem organiza, quem fomenta o conflito agrário no campo, trazendo essa insegurança jurídica que presenciamos no dia a dia, ações essas de violência e desobediência civil”.

Os Ruralistas já alardeiam em seu site sua estratégia requentada para esconder que os desmatadores e grileiros são, na verdade, os grandes inimigos do país.

“Dois órgãos se destacam na mira da CPI: o Incra e a Funai, nos quais podem-se verificar desvios e irregularidades cometidos na execução de contratos e convênios”.

Além de acusação sem provas, com estúpido interesse em difamar as autarquias federais, eles apontam que serão “investigados” entidades internacionais que apoiam causas indígenas e de minorias por todo o mundo. Veja abaixo.

“A CPI vai apurar também o repasse de recursos vindos do exterior por intermédio das seguintes entidades:  Fundação Ford, Rainforest Foundation Norway (da Noruega), Embaixada da Noruega, Agência Espanhola para Cooperação Internacional e Desenvolvimento (AECID), Norwegian Church Aid (Ajuda da Igreja da Noruega-AIN), Interchurch Organization for Development Cooperation (ICCO) e Survival International.”

Esquecem-se os Ruralistas de que seus agronegócios estão associados diretamente a gigantes mundiais do processamento e comércio de produtos agrícolas, como ADM, Bunge, Cargill, e Dreyfus, conhecidas como ABCD, que não são de capital nacional.

Vejamos:

ADM: a Archer Daniels Midland Company chegou no Brasil em 1997, e é um conglomerado com base nos EUA e opera mais de 270 fábricas em todo o mundo, onde grãos de cereais e plantas oleaginosas são transformadas em inúmeros produtos utilizados na alimentação, bebidas, indústrias e forragem animal para mercados em todo o mundo. A ADM também fornece serviços de transporte e armazenagem agrícola.

Bunge: Fundada em 1818 em Amsterdam, e atualmente com sede nos EUA, chegou ao Brasil em 1905; conta com mais de 20 mil colaboradores, trabalhando em cerca de 100 instalações, entre fábricas, usinas, moinhos, portos, centros de distribuição e silos, em 17 estados e no Distrito Federal. Marcas como Salada, Soya, All Day, Cardeal, Delícia, Primor, Etti, Salsaretti e Bunge Pro estão profundamente ligadas não apenas à história econômica brasileira, mas também aos costumes, à pesquisa científica, ao pioneirismo tecnológico e à formação de gerações de profissionais.

Cargill: com sede nos EUA, foi fundada em 1865. Atualmente a Cargill é a maior empresa do mundo de capital fechado, está presente nos 5 continentes. Entre seus negócios inclui a compra, processamento e distribuição de grãos e outras commodities agrícolas, da fabricação e venda de ração animal, ingredientes para alimentos processados, produtos farmacêuticos e bens de consumo e produção de alimentos. Também opera um grande braço de serviços financeiros, que gerencia os riscos nos mercados de commodities para as empresas.

Dreyfus: a francesa Louis Dreyfus Commodities é uma gigante mundial do setor agrícola, fundada em 1851, com mais de 160 anos no mercado de commodities e operações em mais de 90 países. No Brasil a Louis Dreyfus Commodities estabeleceu suas primeiras raízes em 1942 e hoje está em 12 estados representando a maior operação do Grupo no mundo. A empresa atua na originação, produção, transporte, armazenagem e comercialização de produtos agrícolas, com operações nos mercados de açúcar, algodão, arroz, café, fertilizantes & insumos, grãos, oleaginosas e sucos cítricos, e está entre as 10 maiores exportadoras do país.

Tire você suas próprias conclusões de quem deve ser investigado.

(O Indigenista Editorial)

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