Chico Cesar canta na Câmara chamando Ruralistas de “Pinóquios Velhos”

ATL2015 - camaraplenchicocesar

O cantor e compositor Chico Cesar cantou na Câmara dos Deputados ao lado de Sônia Guajajara na Sessão Solene em homenagem ao Dia do Índio.

Sua música é uma forte crítica e denúncia sobre a atuação da Bancada Ruralista, a quem chama de “Pinóquios Velhos”. A letra sempre afiada e precisa de Chico Cesar denuncia que o Sistema Ruralista causa não o desenvolvimento, mas o “destruimento” da natureza e povos que vivem dela. Aponta ainda que, ao contrário do que é divulgado, o Ruralismo não gera empregos aos brasileiros, pois as atividades são mecanizadas e o maquinário importado.

Esta solenidade já entrou para a história do Brasil e será conhecida como a Revanche Indígena.

Ouça a música completa aqui

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12 Respostas para “Chico Cesar canta na Câmara chamando Ruralistas de “Pinóquios Velhos”

  1. Essa resposta inteligente de Chico Cesar atraves de sua poesia, é um direto no queixo dessa bancada ruralista, que esta a cada novo projeto, tornando a nossa vida menos saudável. Agradeço imensamente a este grande artista em nos brindar com tamanha ousadia e responsabilidade civil, levando sua vos a ser ouvida não somente por estes politicos canalhas, mas pelo planeta que clama por justiça. Obrigado Chico Cesar

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  2. Parabenizo ao Chico César e a todos que contribuíram para sua apresentação com está importante música / denúncia / crítica ! Inteligente! Aplausos!!

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  3. Ó donos do agrobiz, ó reis do agronegócio,
    Ó produtores de alimento com veneno,
    Vocês que aumentam todo ano sua posse,
    E que poluem cada palmo de terreno,
    E que possuem cada qual um latifúndio,
    E que destratam e destroem o ambiente,
    De cada mente de vocês olhei no fundo
    E vi o quanto cada um, no fundo, mente.

    Vocês desterram povaréus ao léu que erram,
    E não empregam tanta gente como pregam.
    Vocês não matam nem a fome que há na Terra,
    Nem alimentam tanto a gente como alegam.
    É o pequeno produtor que nos provê e os
    Seus deputados não protegem, como dizem:
    Outra mentira de vocês, Pinóquios véios.
    Vocês já viram como tá o seu nariz, hem?

    Vocês me dizem que o Brasil não desenvolve
    Sem o agrebiz feroz, desenvolvimentista.
    Mas até hoje na verdade nunca houve
    Um desenvolvimento tão destrutivista.
    É o que diz aquele que vocês não ouvem,
    O cientista, essa voz, a da ciência.
    Tampouco a voz da consciência os comove.
    Vocês só ouvem algo por conveniência.

    Para vocês, que emitem montes de dióxido,
    Para vocês, que têm um gênio neurastênico,
    Pobre tem mais é que comer com agrotóxico,
    Povo tem mais é que comer, se tem transgênico.
    É o que acha, é o que disse um certo dia
    Miss Motosserrainha do Desmatamento.
    Já o que acho é que vocês é que deviam
    Diariamente só comer seu “alimento”.

    Vocês se elegem e legislam, feito cínicos,
    Em causa própria ou de empresa coligada:
    O frigo, a múlti de transgene e agentes químicos,
    Que bancam cada deputado da bancada.
    Té comunista cai no lobby antiecológico
    Do ruralista cujo clã é um grande clube.
    Inclui até quem é racista e homofóbico.
    Vocês abafam mas tá tudo no YouTube.

    Vocês que enxotam o que luta por justiça;
    Vocês que oprimem quem produz e que preserva;
    Vocês que pilham, assediam e cobiçam
    A terra indígena, o quilombo e a reserva;
    Vocês que podam e que fodem e que ferram
    Quem represente pela frente uma barreira,
    Seja o posseiro, o seringueiro ou o sem-terra,
    O extrativista, o ambientalista ou a freira;

    Vocês que criam, matam cruelmente bois,
    Cujas carcaças formam um enorme lixo;
    Vocês que exterminam peixes, caracóis,
    Sapos e pássaros e abelhas do seu nicho;
    E que rebaixam planta, bicho e outros entes,
    E acham pobre, preto e índio “tudo” chucro:
    Por que dispensam tal desprezo a um vivente?
    Por que só prezam e só pensam no seu lucro?

    Eu vejo a liberdade dada aos que se põem
    Além da lei, na lista do trabalho escravo,
    E a anistia concedida aos que destroem
    O verde, a vida, sem morrer com um centavo.
    Com dor eu vejo cenas de horror tão fortes,
    Tal como eu vejo com amor a fonte linda –
    E além do monte o pôr-do-sol porque por sorte
    Vocês não destruíram o horizonte… Ainda.

    Seu avião derrama a chuva de veneno
    Na plantação e causa a náusea violenta
    E a intoxicação “ne” adultos e pequenos –
    Na mãe que contamina o filho que amamenta.
    Provoca aborto e suicídio o inseticida,
    Mas na mansão o fato não sensibiliza.
    Vocês já não ´tão nem aí co´aquelas vidas.
    Vejam como é que o Ogrobiz desumaniza…:

    Desmata Minas, a Amazônia, Mato Grosso…;
    Infecta solo, rio, ar, lençol freático;
    Consome, mais do que qualquer outro negócio,
    Um quatrilhão de litros d´água, o que é dramático.
    Por tanto mal, do qual vocês não se redimem;
    Por tal excesso que só leva à escassez –
    Por essa seca, essa crise, esse crime,
    Não há maiores responsáveis que vocês.

    Eu vejo o campo de vocês ficar infértil,
    Num tempo um tanto longe ainda, mas não muito;
    E eu vejo a terra de vocês restar estéril,
    Num tempo cada vez mais perto, e lhes pergunto:
    O que será que os seus filhos acharão de vocês
    Diante de um legado tão nefasto,
    Vocês que fazem das fazendas hoje um grande
    Deserto verde só de soja, cana ou pasto?
    Pelos milhares que ontem foram e amanhã ser-
    Ão mortos pelo grão-negócio de vocês;
    Pelos milhares dessas vítimas de câncer,
    De fome e sede, e fogo e bala, e de AVCs;
    Saibam vocês, que ganham “cum” negócio desse
    Muitos milhões, enquanto perdem sua alma,
    Que a mim não faria falta se vocês morressem;
    Saibam que não me causaria nenhum trauma.
    *
    (Música de Chico César, letra de Carlos Rennó)

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