70 organizações se unem a indígenas contra a PEC 215 em Manifesto Público no Congresso

indigenacongressoOrganizações e movimentos sociais prepararam Manifesto contra a PEC 215, que passa ao legislativo a prerrogativa de demarcar terras indígenas, quilombolas e unidades de conservação. O documento foi entregue nesta quinta-feira (9), às 11h, aos deputados que fazem parte das Frentes Parlamentares de Apoio aos Povos Indígenas, em Defesa dos Direitos Humanos e Ambientalista.

A proposta pretenderia paralisar a demarcação de Terras Indígenas, a titulação de Territórios Quilombolas e a criação de Unidades de Conservação. Além de permitir a liberação de grandes empreendimentos dentro dessas áreas protegidas, como hidroelétricas, mineração, agropecuária extensiva, implantação de rodovias, hidrovias, portos e ferrovias.

Levando em conta que a proposta representa um retrocesso com implicações sobre o equilíbrio ambiental e sobre direitos invioláveis dos povos tradicionais brasileiros, o manifesto exige a retirada imediata de tramitação da PEC 215/2000.

No final de maio, a maioria do Senado Federal se manifestou contra a PEC, 48 senadores, de 81, assinaram manifesto “Em apoio à sociedade civil e contra a PEC 215”.

Leia o Manifesto:

PEC215-manifestoBrasília (DF), junho de 2015.

No dia 19 de maio de 2015, na Câmara dos Deputados, organizações e movimentos sociais, indígenas, indigenistas e ambientalistas, junto com as Frentes Parlamentares de Apoio aos Povos Indígenas, em Defesa dos Direitos Humanos e Ambientalista, abaixo assinados, promoveram a Plenária“Ameaças aos direitos fundamentais e a PEC 215: dem ocracia, povos indígenas e meio ambiente” . Como resultado da Plenária, de comum acordo decidiram publicar a seguinte moção de repúdio à Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 215/2000, em tramitação na Câmara dos Deputados no âmbito de uma comissão especial.

A PEC 215/2000 e seus apensos pretendem paralisar a demarcação de Terras Indígenas, a titulação de Territórios Quilombolas e a criação de Unidades de Conservação, bem como permitir a liberação de grandes empreendimentos dentro dessas áreas protegidas, tais como: hidroelétricas, mineração, agropecuária extensiva, implantação de r odovias, hidrovias, portos e ferrovias.

Se aprovada, a PEC 215/2000 resultará em consequências irreversíveis para os povos indígenas e as comunidades quilombolas, considerando que seus territórios são vitais para sua sobrevivência física e cultural, além de contribuírem na preservação de um meio ambiente ecologicamente equilibrado, no contexto do aquecimento global.

A PEC 215/2000 é inconstitucional, por ferir cláusulas pétreas relacionadas com o princípio da separação dos poderes e a consagração de direito s fundamentais dos povos indígenas, que enquanto tais ostentam blindagem constitucional e respaldo na normativa internacional.

Diante disso e considerando que:

  • a demarcação das Terras Indígenas, a titulação dos Territórios Quilombolas e a criação de Unidades de Conservação da Natureza são atos tipicamente administrativos de caráter estritamente técnico, destinados a implementar direitos constitucionais coletivos conquistados a partir de uma longa e dolorosa jornada de luta e debates no período da Constituinte, em que várias lideranças dos diversos segmentos sociais saíam de seus locais e peregrinavam em Brasília, a fim de discutir e garantir os seus direitos fundamentais, políticos e sociais;
  • esses direitos constitucionais coletivos são o resultado do reconhecimento acerca da imprescindibilidade do equilíbrio ecológico para o bem-estar da sociedade e da necessidade de destinar terras aos povos e comunidades que as ocupam tradicionalmente, tanto para garantir sua sobrevivência física e cultural, como para a reparação da dívida histórica do Brasil para com os povos indígenas, povos e comunidades tradicionais;
  • a luta dos Povos Originários é uma luta para o bem estar- de toda a sociedade, em defesa da pluralidade da coletividade brasileira e do meio ambiente ecologicamente equilibrado;
  • o deslocamento de competência em matéria constitucional só pode ser feito para ampliar direitos e não para impor retrocessos;
  • a biodiversidade, a sustentabilidade e o equilíbrio ambiental não podem ser submetidos aos interesses de maiorias legislativas de ocasião no Congresso Nacional;
  • os Povos Indígenas e Comunidades Quilombolas do Brasil são sujeitos de direito, cidadãos e cidadãs, e como tais, devem ser respeitados em se us direitos e em sua integridade física, moral, cultural e histórica;
  • juristas renomados e o próprio ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luis Roberto Barroso, relator do Mandado de Segurança n° 32262, já alertaram para a absoluta inconstitucionalidade da PEC 215/2000;
  • é urgente que o governo brasileiro aplique a Convenção 169 sobre Povos Indígenas e Tribais em Países Independentes da Organização Internacional do Trabalho (OIT), aprovada em 1989, durante sua 76ª Conferência, e ratificada pelo Brasil em 2004, sendo o principal tratado internacional sobre direitos dessas populações no tocante à consulta livre, prévia e informada, saúde, educação, trabalho, usufruto da terra, entre outros;
  • é fundamental que o Estado brasileiro torne efetivo o direito dos povos indígenas à diferença e ao direito originário a suas terras e territórios, bem como o reconhecimento dos direitos de outros povos e comunidades tradicionais.

Os signatários abaixo elencados RESOLVEM manifestar o seu total apoio à luta dos

Povos Indígenas, das Comunidades Quilombolas e da Coletividade brasileira e exigir a retirada imediata de tramitação da PEC 215/2000, propostas apensas e de quaisquer outras iniciativas voltadas a suprimir ou regredir nos direitos dos povos indígenas, das comunidades quilombolas e no reconhecimento das unidades de conservação.

Assinam:

  1. Ação da Cidadania Contra a Fome, a Miséria e a Pela Vida
  1. Articulação dos Povos Indígenas do Brasil – Apib
  1. Articulação dos Povos Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo – Apoinme
  1. Articulação dos Povos Indígenas do Sudeste – Apinsudeste
  1. Articulação dos Povos Indígenas do Sul – Arpinsul
  1. Articulação Pacari
  1. Associação Brasileira de Antropologia – ABA
  1. Associação das Advogadas e Advogados Públicos para a Democracia – APD
  1. Associação de Advogados da AGU
  1. Associação de Preservação do Meio Ambiente e da Vida – APREMAVI
  1. Associação dos Acadêmicos Indígenas da Universidade de Brasília
  1. Associação dos Juízes para a Democracia – AJD
  1. Associação Nacional dos Centros de Defesa da Criança e do Adolescente (ANCED)
  1. Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho – Anamatra
  2. Casa das Redes
  1. Central Única dos Trabalhadores – CUT
  1. Centro Acadêmico de Ciência Política da Universidade de Brasília
  1. Centro de Trabalho Indigenista – CTI
  1. Centro Popular de Direitos Humanos – CPDH
  1. Coalizão Pró-SNUC
  1. Coletivo Jovem de Meio Ambiente do Brasil
  1. Comissão de Direitos Humanos do Senado Federal
  1. Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados
  2. Comissão Guarani Yvyrupa
  1. Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo
  1. Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB
  1. Conselho de Missão entre Povos Indígenas (Comin)
  1. Conselho Indigenista Missionário – Cimi
  1. Conselho Nacional de Direitos Humanos
  1. Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional – Consea
  1. Coordenação Nacional das Comunidades Quilombolas – Conaq
  1. Distrito Federal em Movimento
  1. Federação dos Estudantes de Agronomia do Brasil
  1. Federação Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar do Distrito Federal e Entorno- Fetraf-DFE
  1. Fórum de Entidades Sociais de São Sebastião
  1. Fórum de Políticas Públicas de Esporte e Lazer Indígena
  1. Frente Parlamentar Ambientalista
  1. Frente Parlamentar em Apoio aos Povos Indígenas
  1. Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos Humanos
  1. Frente Parlamentar em Defesa dos Povos Tradicionais de Matriz Africana
  1. Frente Parlamentar Mista de Segurança Alimentar e Nutricional
  1. Frente Parlamentar Mista Pela Educação do Campo – FPMEDOC
  2. Fundação SOS Mata Atlântica
  1. Grande Assembleia do Povo Guarani

– Aty Guasu

  1. Greenpeace
  1. Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia – Ipam
  1. Instituto Internacional de Educação do Brasil
  1. Instituto Nzinga Mbandi
  1. Instituto Socioambiental – ISA
  1. Mídia Ninja
  1. Mobilização dos Povos Indígenas do Cerrado – Mopic
  1. Movimento Afrodescendente de Brasília – Madeb
  1. Movimento de Apoio aos Povos Indígenas
  1. Movimento Supernova
  1. Movimento Tortura Nunca Mais
  1. Núcleo Agrário da Câmara dos Deputados
  1. Observatório do Clima
  1. ONG Alternativa Terra Azul
  1. Ordem dos Advogados do Brasil – OAB
  1. Organização Indígena do Médio e Baixo Perus
  1. Rede Cerrado
  1. Rede de Comunidades Tradicionais Pantaneira
  1. Rede Grupo de Trabalho Amazônico – GTA
  1. Rede Nacional de Advogados e Advogadas Populares – Renap
  1. Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República – SDH/PR
  1. Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República – SEPPIR/PR
  1. Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República- SPM/PR
  1. Terra de Direitos
  1. Via Campesina
  1. WWF-Brasil

Fonte: http://www.jb.com.br/pais/noticias/2015/06/10/movimentos-sociais-lancam-manifesto-contra-pec-sobre-demarcacao-de-terra/

Mobilização Nacional Indígena

Imagem: Wilson Dias/ABr

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