Após ameaçar indigenistas da Funai, fazendeiros atacam indígenas a tiros em Ponta Porã, MS

Cimi-MSPela manhã do dia 24 de junho, no município de Ponta Porã, Mato Grosso do Sul, três fazendeiros surpreenderam indigenistas da Funai numa tocaia e os ameaçaram de morte. Os indigenistas, entre eles um Diretor da Funai, denunciou a ameaça à Polícia Federal.

Horas depois, fazendeiros atacaram a tiros a comunidade Guarani e Kaiowá do Tekoha Kurusu Ambá, município de Coronel Sapucaia, que está acampada desde a madrugada desta segunda-feira, 22, em retomada de área tradicional.

Nesta parte da Terra Indígena está instalada a fazenda Madama. Ainda não é possível afirmar se houve mortos e feridos, mas em contato telefônico com os indígenas foi possível ouvir tiros ao fundo, afirmou o Conselho Indigenista Missionário em nota.

A informação repassada por indígenas no local do ataque é de que a comunidade acampada se dispersou pelos arredores. A preocupação maior é com as crianças e feridos, pois conforme os indígenas contatados existe a possibilidade inicial de dois Guarani e Kaiowá atingidos pelos tiros e uma criança perdida.

A situação no MS é tensa e todos no Brasil e exterior já estão cientes. A região é conhecida como Faixa de Gaza brasileira.

A Funai está fazendo seu trabalho constitucional e demarcando as Terras Indígenas, mas os poderes oligarcas locais fazem pressão para impedir a atuação. Quando a pressão política e jurídica não funciona, os Ruralistas apelam para armas de fogo. Alguns até afirmam que, recebendo pelo valor de mercado por suas terras, entregam para a União. Outros se negam ao diálogo com o governo.

A Polícia Federal já investiga os casos de ataques contra indígenas e indigenistas.

A real situação é que o conflito no MS tem dado lucro para muitos empresários, tanto do ramo de produção de armas, como CBC – Companhia Brasileira de Cartuchos, que financiou campanhas eleitorais de políticos ruralistas por todo o Brasil; quanto as empresas paramilitares que fazem a seguranças de fazendas.

Outros que lucram são os políticos que garantem eleitorados com o discurso de que, se eleitos forem, “nenhum indígena roubará suas terras”. Este crime contra os indígenas vem ocorrendo há décadas, e está difícil o controle, tamanha é a corrupção na região de fronteira. Há soluções para a região que já estão sendo debatidas, mas falta saírem do papel.

Fonte: Cimi e Funai

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