Quem é quem no conflito contra os Guarani Kaiowá no Mato Grosso do Sul

A situação é de extrema tensão no município de Antonio João, Mato Grosso do Sul, há mais de uma semana e se agravou com o ataque ruralista aos Guarani Kaiowá em sua Terra Indígena Ñanderu Marangatu, já homologada, porém aguardando uma série de ações judiciais impetradas pelos ruralistas.
Mas quem são estes ruralistas? Quem atacou os Guarani Kaiowá?
Saiba quem é quem no conflito que se criou no Mato Grosso do Sul financiado pelo Sistema Ruralista.
Políticos
Produtores rurais da região, entre os proprietários das fazendas ocupadas pelos índios, se reuniram no Sindicato Rural da cidade por volta de 10h de sábado 29 de agosto, chamados pela presidente do Sindicato Rural, Roseli Maria Ruiz Silva, proprietária da Fazenda Fronteira, uma das retomadas. Estavam presentes  e os deputados federais Tereza Cristina (PSB) e Luiz Henrique Mandetta (DEM), e o senador Waldemir Moka (PMDB).
GK-politicosMesmo com a presença de três congressistas, Roseli Maria Ruiz Silva foi a única a discursar. Ela fez um relato emocionado convencendo a todos de sua versão da situação, assustando os presentes dizendo que os indígenas que ocuparam as fazendas estavam se preparando para invadir a cidade de Antônio João e seus moradores. Ainda, encerrou a reunião sem dar a palavra para as demais autoridades e liderou o grupo de fazendeiros em direção às propriedades ocupadas, prometendo que as terras seriam retomadas naquele dia.

Waldemir Moka, senador, e Tereza Cristina, deputada, permaneceram no Sindicato Rural. Já Henrique Mandetta, deputado, acompanhou o grupo de fazendeiros até o local onde iniciaram o confronto contra os Guarani Kaiowá.

A cena do ataque segundo o parlamentar

Em entrevista ao site Campo Grande News, na noite de sábado, o deputado Mandetta explicou o que ocorreu:

“Quando pegamos a estrada de chão em direção à fazenda vi um comboio de uns 50 carros. Pedi para os fazendeiros não entrarem na sede até que os índios se acalmassem, mas duas pessoas de cada lado faria a conversa sob a minha intermediação. Os fazendeiros entraram com os carros por uma lateral da sede e teve o confronto. Era índio e produtor correndo. Teve paulada, pedrada e até barulho de tiro”, contou Mandetta.

Segundo Midiamax, portal do MS, “os fazendeiros estavam revoltados e não queriam diálogo”.
Observa-se, portanto, que a presidente do Sindicato Rural, Roseli Maria Ruiz Silva, foi a responsável por convocar os presentes na reunião a irem até o local onde estavam os Guarani Kaiowá, sem dar nenhum possibilidade de outra pessoa, nem parlamentares, em acalmar a situação e buscar outra saída que não fosse o conflito já definido pelos proprietários que chegaram no local instaurando a violência contra os indígenas.
Quem tomou a decisão do ataque
Roseli Maria Ruiz Silva é proprietária de uma das fazendas existentes dentro da Terra Indígena Ñanderu Marangatu e também é presidente do Sindicato Rural de Antônio João. Ela já vem há anos incitando ataques contra os indígenas e acusando a justiça de demorar a agir contra os Guarani Kaiowá.
Na região todos sabem que a situação da demarcação da Terra Indígena está em suspenso: há o decreto de homologação pela presidência da República que define a área como pertencente à União e para usufruto exclusivo dos indígenas; e há os títulos de propriedade da terra reconhecidos pelo governo do estado do MS.
A Constituição é clara ao definir que se tornam nulos os títulos quando a área é declarada como indígena, porém os proprietários entraram na justiça ao longo de todo o processo de demarcação, que está no Supremo Tribunal Federal aguardando decisão por conta da homologação.
Enquanto todos aguardavam pacificamente a decisão, Roseli Ruiz e uma advogada percorreram nos últimos dias os meios de comunicação de Antônio João e Campo Grande, postaram nas redes sociais e anunciaram pelas ruas que os indígenas iriam invadir a cidade de Antônio João e atear fogo nas residências, conforme Campo Grande News:

A presidente do Sindicato Rural de Antonio João, Roseli Maria Ruiz, também expressou sua preocupação com os conflitos hoje. Em nota, ela diz que há informação de que os índios irão fechar as entradas de acesso a sede do município e colocar fogo na cidade. Ainda de acordo com Roseli, há vários índios com galões de gasolina pela cidade.

“Diante de um caos desta magnitude não tenho ideia do que fazer para garantir a ordem, contatamos todas as autoridades e poderes de polícia. Até o momento não tivemos resposta”, diz a nota, que termina pedindo a proteção divina.

A advogada que acompanhou Roseli na construção das mentiras para amedrontar a população se chama Luana Ruiz Silva, nada menos que filha da presidente do Sindicato Rural.

Roseli-Luana-Ruiz-SilvaLuana publicou um vídeo na internet onde lê uma nota acusando os indígenas de terem invadido sua terra e acusando organizações indigenistas de estarem por trás dos Guarani Kaiowá.
Esta advogada e sua mãe já são conhecidas na região por participarem de reuniões com Ministro da Justiça e serem irredutíveis quanto a qualquer acordo. Elas têm se colocado como defensoras dos proprietários e, para tanto, se a situação não for conflituosa, elas não conseguiriam ser acionadas como advogadas e muito menos se manter na presidência do Sindicato Rural.
Sim. É a velha estratégia ruralista de impor o medo à população para manter o sistema lucrativo do agronegócio.
Veja aqui imagens de Luana Ruiz no palco de um evento a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff, onde a advogada afirma que os Guarani Kaiowá, habitantes milenares da região, estariam envolvidos com “movimentos comunistas” e chama a todos para “extirpar a política indigenista” do Brasil.

Uma mentira contada várias vezes leva à violência

Em seu perfil no Facebook, Luana Ruiz ininterruptamente chama a população não-indígena ao confronto e acusa os Guarani Kaiowá de mentirem quanto aos ataques que sofreram e sobre o assassinato de um membro da comunidade indígena.

GK-Luana-1GK-Luana-2

Um grupo de maçons chamado “Avança Brasil Maçons.BR” também apoiaram a violência na região de Antônio João em suas postagens no Facebook e nos eventos locais.

Maconaria-anti-indigenaAinda houve uma ardilosa mentira plantada pelo ex-deputado pelo Mato Grosso do Sul Pedro Pedrossian Filho, de 43 anos, – que é filho do ex-governador do estado Pedro Pedrossian. Lembramos que ele ficou conhecido por agredir em 2009 o professor de filosofia André Martins, de 42, por ciúmes da mulher Ana Cássia Nogueira Vieira.

Pedrossian Filho postou imagens de um incêndio num deposito de propriedade de Fredy Gerstenkorn na localidade de Capitán Meza, Paraguai, como se fosse em uma das Fazendas retomadas pelos Guarani Kaiowá.

GK-incendio-2Site de onde Pedrossian retirou as imagens:

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A realidade da ocupação

Os Guarani Kaiowá retomaram sua Terra Indígena e postaram a todo momento no Facebook as imagens que não mostram armas, nenhum clima tenso e muito menos violência.

Veja as imagens postadas por Isaias, acusado por Luana Ruiz de ser um dos “mandantes” e já ameaçado pelos ruralistas.

GK-Isaias-2-ocupacaoO futuro

A situação tem de se pacificar e os responsáveis pela violência devem ser julgados e punidos. Entre eles certamente estarão Roseli e Luana Ruiz Silva, as articuladores do conflito.

Os Guarani Kaiowá aguardam a devolução de sua terra e o respeito por parte dos não-indígenas que ocuparam seu território tradicional.

Continuaremos observando e informando sobre o ocorrido.

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3 Respostas para “Quem é quem no conflito contra os Guarani Kaiowá no Mato Grosso do Sul

  1. Sou matogrossense do Sul, vivo em Brasília e passei pela estrada entre Ponta Porã e Bela Vista, no inicio do mês de Julho onde se encontra a aldeia Marangatu, sinalizada por meio de placas nas proximidades. A visão é assustadora. Os índios vivem em uma pequena extensão de terra, cercados por grandes áreas de cultivo e vegetação nativa completamente destruída.
    Os representantes do agronegócio contam versões fantasiosas de sua invasão de terras do Estado e só acreditam aqueles que se beneficiam dela, os omissos ou os alienados. Quem conheceu a paisagem do Estado e dessa região sabe da inveracidade de suas versões. O Estado entregou suas terras as grandes multinacionais do agro negócios associadas aos antigos fazendeiros da região, que também ocupam, em sua maioria cargos públicos e que estão expulsando vergonhosamente pequenos agricultores e os povos indígenas.

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  2. A questão se resume em uma frase!

    Invasão de propriedade privada é crime!
    Está na Constituição Brasileira!

    Se a questão tá na justiça tem que esperar terminar, todos sabemos como a justiça brasileira é morosa! É essa mesma justiça morosa que não prende os índios que invadiram as terras e os mandantes não-índios, brasileiros ou estrangeiros, que sabemos que estão entre os índios e os manipulam. Portanto os índios também se beneficiam da justiça lerda brasileira.

    Se a FUNAI e o CIMI gostassem de índio já tinha tirado todos eles da miséria, afinal estão a décadas “trabalhando” (manipulando” os índios.

    A MISERIA INDÍGENA INTERESSA PARA A FUNAI/CIMI.
    QUANDO VOCÊS VÃO PERCEBER ISSO??????????????

    O Estado de Direito da nossa nação tem que ser respeitado. Querem terra? Peçam pra Dilma! Aposto que votaram nela!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

    E sobre o índio morto, este foi morto por outros índios. Estava morto a mais de 12 horas do momento da retomada da propriedade pelos donos. Tem mesmo investigar quem matou ele e por na cadeia!

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  3. Devolve o Mato Grosso do Sul e o restante do território brasileiro para os indígenas e prendam os ditos “proprietários”,pois como afirma meu amigo acima JoseTLFGE ,invasão de propriedade privada é crime…
    Enquanto a questão da miséria tem gente cagando pelos dedos nas redes sociais e precisa conhecer para falar.

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