Enawene Nawe e Juína: um conflito mediável

Após os cidadãos Marciano Cardoso Mendes, 27, e Genes Moreira dos Santos, 24, saírem de Juína (735 km a Noroeste de Cuiabá), na manhã de quarta-feira (9), com destino a Rondônia, para comprar roupas para serem revendidas na loja de um deles na cidade, decidirem não pagar o valor de R$ 50,00 por impactar a Terra Indígena Enawene Nawe, MT, e não por falta de dinheiro, começou o conflito.

Mas o que motivou a decisão dos cidadãos em iniciar a confusão?

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A CPI da Funai e Incra tem como relator o deputado ruralista Nilson Leitão (PSDB-MT), que dispara descaradamente versões de fatos contra os indígenas. Dificilmente os cidadãos se posicionariam contra os Enawene Nawe se não tivesse um incentivador e, ainda, um homem público do legislativo.

Leitao-STF

Os Enawene Nawe são um povo de recente contato, realizado em 1974, e tiveram seu território ocupado pela soja, seus rios barrados por hidrelétricas e sua segurança ameaçada por uma rodovia, a BR-174. Como manifestação contra o avanço dos não-indígenas sobre suas vidas, eles implementaram uma cobrança para os motoristas que decidirem percorrer o trecho em que a Terra Indígena é impactada pela BR.

Os cidadãos acima citados, cientes disso, decidiram não pagar o pedágio, iniciando conflito, e ainda fugiram atirando contra os Enawene Nawe. Se tivessem retornado para Juína, não teria acontecido o conflito.

Mas, aos moldes do que ocorreu em Humaitá, AM, em que cidadãos atearam fogo na estrutura da Funai e ameaçaram invadir a Terra indígena Tenharin, por conta do sumiço de não-indígenas que passavam pelo pedágio da BR-230 que corta a TI, os cidadãos de Juína odeiam a Funai e os Enawene Nawe.

Percebe-se nos comentários nas redes sociais que a raiva dos não-indígenas tem origem. Atraídos para a região para trabalhar, desmataram a floresta, poluíram os rios, exigiram toda a estrutura energética e logística para atender a cidade criada em 1982. Tal estrutura incomoda, impacta e agride os Enawene Nawe há mais de 30 anos.

Como em Humaitá, a população local é de origem gaúcha que rumou para o centro-oeste derrubando a floresta, vendendo as árvores, criando gado e vendendo a carne, e agora plantando soja e secando os rios. Conhecidos como “gafanhotos”, são organizados em Sindicatos Rurais e cultivam o preconceito contra os indígenas.

O que os Enawene Nawe, como outros povos indígenas, estão dizendo é: não acabem com nosso território!

Mas esta vontade indígena não é compreendida pelos não-indígenas que apenas entendem a linguagem financeira. O estado nacional, quando deseja que os motoristas usem cinto de segurança, cria multas contra aqueles que não usarem. Os Enawene Nawe estão fazendo a mesma coisa. Os motoristas que decidirem passar por sua Terra Indígena, terão que desembolsar dinheiro.

Mediar este conflito é educar a população de Juína e da região que, na década de 80, foram habitar em território indígena mas nunca desejaram dialogar com os verdadeiros donos da terra.

O Ministério Público Federal é, neste caso, o melhor mediador, pois é o guardião das leis. Os cidadãos, apoiados pelos ruralistas que criaram a CPI da Funai e Incra, estão se manifestando contra os indígenas, num ato unilateral. Os Enawene Nawe, estão se protegendo dos não-indígenas desde a década de 70 e se tiverem que enfrentar mais uma guerra, enfrentarão.

Neste caso, a Funai não tem condições nem servidores para ser a mediadora. As Polícias Militar, Federal ou Força Nacional, irão evitar que as duas partes de encontrem. A Secretaria Geral da Presidência ou Secretaria de Direitos Humanos, são governo Federal que promoveu a instalação da cidade e da BR-174 no passado. Por mais que tentem, não conseguirão mediar. Muito menos alguém do legislativo deve se meter, e o deputado Nilson Leitão deve ser processado caso emita qualquer opinião.

Somente o diálogo evitará o confronto. E você, antes de postar nas suas redes sociais algo contra os Enawene Nawe, conheça a história da região e perceba como tudo é muito recente para os indígenas que estão ali vivendo há milênios.

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2 Respostas para “Enawene Nawe e Juína: um conflito mediável

  1. Lamentavelmente, intereses geopoliticos de EUA e Europa estao contra a coesa entre brasileiros, sejam indigenas ou de otra etnia. De fato desde a decada de 1980 ha atividades de “ativistas” extrangeiros como o alemao R. Nehberg mexendo dentro do Brasil: Mesmo contra o goberno federal como contra os opositores. A Apib faz propagada contra o goberno do Brasil na Europa. EUA e OTAN-Europa querem territorios indigenas “autonomos” no Brasil e America Latina: Protegidos pela “comunidad internacional” .

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