Desabafos indigenistas: “Tanta terra para tanto latifundiário não pode estar certo”

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A CPI Funai e Incra nos faz refletir sobre qual o momento da vida de uma pessoa em que ela deixa de ser um humano, e passa a ser uma coisa que, para saciar o seu vazio existencial, precisa possuir, infinita e insustentavelmente,  outras coisas. Existem deputados federais que são inumanos.

Como são caricaturados alguns deputados. Seus rostos cheio de base não escondem os pactos destrutivos realizados em nome do Mal. Mantêm um discurso do ódio que desqualifica indígenas, mas a resolução da situação fundiária no sul demanda um território pequeno (4%?) para ser resolvida.

A CPI Funai Incra também nos faz pensar a regionalidade brasileira: de um lado, deputados do norte e nordeste que não negam seus indígenas e quilombolas. De outro, sulistas com sede de sangue e suor alheio.

Tanta terra assim para tanto latifundiário não pode estar certo. Latifundiários plantadores de soja transgênica, destruidores de matas e rios, que não nos alimentam nem nos representam, têm dificuldade de entender algo claro como o fato de que um pais jamais se desenvolverá se não cumprir com as compensações mínimas para com os povos originários. Demarcar as terras indígenas é uma solução necessária para o Brasil, para que o país tenha o necessário orgulho  de uma história digna.

Enquanto os deputados enrolavam com a sessão da CPI, articulações sucessivas de todos os lados moldavam a cada hora um novo painel. As notícias que correram na Folha de São Paulo e na Rede Globo surgiram efeito. Viva Paglia, Pinheiro e Leite: que combinação midiática!

Quanto aos indiciamentos, Nilson Leitão deverá entender melhor o posicionamento da Procuradoria Geral da República para saber o que fazer com o indiciamento de 16 procuradores. Também a AGU deverá se posicionar sobre o indiciamento de 3 procuradores.  E parece que eles não gostaram nada disto.

A ABA, sua presidente charmosa, o professor confiante; o CIMI, seu bravo artilheiro. PT, PSOL e PC do B produziram um relatório paralelo muito bom, com propostas para a política indigenista, diferentemente de sua aniquilação, como propõem os ruralistas, alguns citados na Operação Lava Jato.

Servidores da Funai, alertas para a defesa dos direitos indígenas. Indígenas mais alertas ainda.

Quanto às recomendações, haja luta pela frente.

Série: Desabafos Indigenistas

Editorial O Indigenista

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2 Respostas para “Desabafos indigenistas: “Tanta terra para tanto latifundiário não pode estar certo”

  1. O texto é brilhante, mas pergunto qual a necessidade de fazer um elogio sexual à presidente da ABA? Aos jornalistas (homens) couberam um elogio à atuação profissional, ao professor (também, homem) fez-se um elogio à sua característica sexual. Apenas à mulher endereçou-se um elogio que nos remete ao seu corpo, ao seu modo de vestir, ao jeito que se porta, ou seja, um elogio característico da sociedade machista.
    Fica a observação, O Indigenista. Sigamos nas desconstruções.

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